Curiosidades sobre cogumelos!


Minijardim comestível com cogumelos

       A designer de alimentos Chloé Rutzerveld criou um minijardim comestível com plantas e cogumelos. Em resumo, uma estrutura contendo uma mistura de “solo comestível”, sementes e esporos é construída utilizando uma impressora 3D. Após incubar essa pequena escultura por alguns dias, folhas e cogumelos se desenvolvem e o conjunto todo pode ser devorado.No mínimo criativo, não?

Chloe

 

Referência: http://virgula.uol.com.br/…/designer-cria-jardim-comestiv…/…

As plantas se comunicam usando uma “internet” de fungos

      Escondida abaixo da superfície da terra existe uma rede interligando as plantas. Esta rede é formada por fungos, que vivem associados às raízes. O aspecto destes fungos é realmente o de uma trama de fios muito finos que se concentram próximo às raízes e irradiam alguns metros em torno. Desta forma, a vegetação de uma área está toda conectada. Esta rede de filamentos, chamada micélio, troca nutrientes com as raízes das plantas, de maneira que ambos saem ganhando.

      Além disso, alguns experimentos vêm confirmando a idéia de que as plantas podem se comunicar através destas redes de micélio. Foi demonstrado que:

- algumas árvores são capazes de transferir carbono para árvores menores que não recebem tanto sol, para ajudá-las a crescer mesmo que à sombra de árvores maiores.

- algumas plantas são capazes de avisar outras de algum perigo potencial, como o ataque de parasitas por exemplo.

- há espécies vegetais que se aproveitam desta “internet”, desviando recursos de outras plantas e lançando toxinas na rede, para inibir o crescimento de competidores.

fossil-fungi

Adaptado de: http://upliftconnect.com/plants-communicate-using-an-internet-of-fungi/

Bateria de celular com cogumelos?

       Pesquisadores norte-americanos criaram um novo tipo de bateria de lítio com uma peça feita de cogumelos que substitui o grafite das baterias convencionais. Pode parecer idéia de feira de ciências de colégio, mas esta substituição pode de fato representar um aperfeiçoamento técnico. Evidências sugerem que estas novas baterias podem durar mais que as tradicionais e durar cada vez mais quanto mais são utilizadas.

    Além disso, este material é barato, fácil de produzir e biodegradável, o que faz diferença se pensarmos no número de celulares, notebooks, tablets e veículos elétricos a serem produzidos nos próximos anos. Não só, para produzir as peças de grafite com a tecnologia atual, é utilizada grande quantidade de solventes corrosivos.

      Resta muito trabalho para aperfeiçoar o protótipo e torná-lo mais eficiente. Contudo, os inventores já protegeram a idéia na forma de uma patente.
Quem sabe em breve não teremos materiais derivados de cogumelos em todas as baterias? Incluindo aquelas dentro do dispositivo em que esta mensagem está sendo lida…

Teria sido o primeiro organismo terrestre um fungo?

       Tudo indica que sim. Segundo matéria publicada ontem no site da Universidade de Cambridge, foi encontrado um fóssil de um fungo (Tortotubus) que teria vivido há 440 milhões de anos. Não só é o fóssil mais antigo de um fungo, mas também é o fóssil mais antigo de um organismo terrestre já encontrado.

       Mas por que as coisas aconteceram nesta ordem? Possivelmente porque os fungos e sua capacidade como decompositores foram fundamentais na formação do solo e somente com o solo foi possível o surgimento de plantas mais complexas e animais. Os fungos são responsáveis por incorporar elementos como nitrogênio e oxigênio no solo, em formas assimiláveis pelas plantas.

       Segundo o Dr. Martin Smith, autor do artigo, (publicado na Botanical Journal of the Linnean Society), na época em que viveu este fungo, a vida estava quase completamente restrita aos oceanos.

       Mas então, o que estes fungos decompunham? Segundo o autor do artigo, provavelmente bactérias e microalgas. Porém fósseis destes microrganismos raramente são encontrados.

       Dr. Martin diz ainda que este fóssil sugere que os primeiros cogumelos podem ter surgido antes de os primeiros animais terem se aventurado na superfície da terra.

fossil-fungiFonte: http://www.cam.ac.uk/research/news/a-load-of-old-rot-fossil-of-oldest-known-land-dweller-identified

 

Cogumelos carnívoros

       Os cogumelos-ostra (espécies do gênero “Pleurotus” que incluem o shimeji preto, shimeji branco, etc.) têm um segredo: são carnívoros ou predadores. Pelo menos 200 espécies de fungos têm esta habilidade. São capazes de atacar e digerir minúsculos aracnídeos e vermes cilíndricos. O mecanismo de ataque vem sendo estudado e inclui proteínas que abrem furos nas membranas das células atacadas. Os tecidos animais são ricos em proteínas, e complementam a dieta, à base de madeira e pobre em nitrogênio, dos fungos.

shimeji_branco

 

Existem sementes de cogumelos?

       No ciclo de vida dos cogumelos não há fase de semente. As três principais etapas do ciclo de vida dos cogumelos são: esporo, micélio e cogumelo. Porém, a expressão “semente de cogumelo” é um jargão técnico familiar para quem cultiva cogumelos. Refere-se a uma massa bem desenvolvida de micélio selecionado e puro, utilizada para iniciar a colonização de substrato novo. Essa “semente”, também chamada de “inóculo” ou “spawn” pode ser preparada utilizando grãos de cereais, serragem e até mesmo caldos nutritivos como substrato.

 

A origem do champignon branco

       Os primeiros cultivos de champignon (Agaricus bisporus) datam do século XVII. Os champignons silvestres tinham chapéus marrons, e assim também eram os primeiros champignons cultivados. Foi apenas em 1926 que um cultivador da Pensilvânia percebeu um grupo de champignons com chapéus brancos no meio dos vários champignons marrons do seu canteiro. Foram aplicadas técnicas para obter novos cultivos a partir destes cogumelos. Boa parte dos champignons brancos produzidos no mundo hoje teve origem nestes mutantes, que surgiram ao acaso, em meio a cogumelos cultivados.

 

Cogumelos aquáticos

       Cogumelos são seres terrestres. Certo? Errado. Em 2010 foi publicada pela primeira vez a descrição de uma espécie de cogumelo frutificando em baixo d’água, no rio Rogue, no Oregon (EUA). Não se trata de um tipo qualquer de cogumelo, mas um cogumelo com a forma mais icônica: chapéu com lamelas em baixo, preso a um pé central. Usando técnicas clássicas de identificação, associadas a estudos de DNA, este cogumelo foi classificado como sendo do gênero Psathyrella, um gênero com várias espécies terrestres conhecidas. Por se tratar de uma espécie distinta das demais, ganhou um nome novo: Psathyrella aquatica. Todo o seu ciclo de vida é subaquático.

       Seu micélio cresce em madeira morta submersa e nos sedimentos no fundo do rio. Segundo os relatos, o desenvolvimento destes cogumelos leva quase três meses. Desta forma, devem apresentar estrutura bastante resistente, para aguentar a correnteza neste longo período. Ao que tudo indica, os esporos são lançados em bolhas de gás, liberadas da região das lamelas.

       Não se sabe se é comestível, mas suas dimensões são modestas (10cm de altura) e não é usualmente encontrado em grandes quantidades. Além disso, existem espécies tóxicas do mesmo gênero. Um repórter da rede BBC, em um programa chamado “Wild Food”, acabou sendo acidentalmente intoxicado com cogumelos do gênero Psathyrella. Relatou ter ficado com a visão monocromática (azul e branca), além de ter tido problemas respiratórios e de memória.

       Apesar de vários outros fungos aquáticos serem conhecidos da ciência, este foi o primeiro relato de um cogumelo propriamente dito frutificando em baixo d’água. Acredita-se que devam existir muitos outros. Estavam a todo momento bem na nossa frente, mas ainda não estávamos preparados para encontrá-los.

psathyrella_aquatica Psathyrella aquatica, na foto tirada pelo hidrologista Robert Coffan, primeiro a relatar a ocorrência desta espécie.

 

Espécie de cogumelo foi batizada em homenagem ao Bob Esponja

       O imaginário infantil está repleto de cogumelos. Imagens de cogumelos decoram livros, roupas, brinquedos, desenhos animados, videogames e todo tipo de material produzido para crianças. Alguns exemplos clássicos incluem os smurfs, que moram dentro de cogumelos e a série de videogames super-mario, em que cogumelos são um dos temas principais. Os cogumelos mexem com a curiosidade e a criatividade das crianças.

       Contudo, também acontece do universo infantil inspirar a micologia. Foi o que ocorreu quando os pesquisadores Dennis Desjardin, Kabir Peay e Thomas Bruns buscavam um nome para um cogumelo recém descoberto na Malásia, em 2011. Por se tratar de um cogumelo esponjoso, em tons amarelados, estes pesquisadores o nomearam Spongiforma squarepantsii em homenagem ao personagem Bob Esponja (“squarepantsii” é algo como “calçaquadradii”). Além disso, segundo os autores, o himênio (superfície produtora de esporos) deste cogumelo visto ao microscópio, lembra o fundo do mar, com esponjas tubulares, similar ao lar do personagem.

       Este nome foi originalmente rejeitado pela revista Mycologia, como sendo frívolo. Porém foi por fim publicado, após Desjardin e colegas alegarem que “poderiam nomeá-lo como desejassem”.

Spongiforma_squarepantsii

Cogumelo Bob Esponja (Spongiforma squarepantsii). Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/
Spongiforma_squarepantsii#/media/File:Spongiforma_squarepantsii_151595.jpg

 

O maior ser vivo conhecido é um cogumelo

      Isso mesmo! O maior organismo conhecido a habitar o planeta Terra, em área, é um cogumelo da espécie Armillaria solidipes (= A. ostoyaeA. obscura), descoberto no ano de 1998, no estado de Oregon (EUA), na Floresta Nacional de Malheur, nas montanhas Blue. Os cogumelos deste gênero são conhecidos como cogumelos de mel (pela sua cor amarelada). Há representantes deste gênero na Europa, Ásia e Américas, incluindo o Brasil.

      Olhando na superfície do solo, o que se vê são cogumelos de tamanho normal, porém, no subterrâneo se estende uma gigante rede de filamentos, chamada micélio. Esta espécie parasita raízes de árvores e compete com elas por nutrientes do solo. Como foi possível medir o tamanho desta colônia de cogumelos? Com testes de DNA! Testes de DNA permitem concluir que todos os cogumelos dentro de um raio de quase 10km2 (equivalente a aproximadamente 1.500 campos de futebol) se tratam de clones de um mesmo indivíduo, quer dizer, seu genoma é idêntico, ou seja, todos os cogumelos dentro desta enorme área emergem de uma mesma rede micelial subterrânea.

      Antes deste registro, o maior organismo conhecido era uma baleia azul de 33,5m e 200 toneladas. Uma outra colônia de Armillaria ostoyae, descoberta em 1992 em Washington, foi brevemente considerada o maior organismo conhecido, mas estima-se que a colônia no Oregon seja aproximadamente cinco vezes maior que a de Washington. Estima-se que a massa total desta gigante colônia, incluindo micélio e cogumelos, ultrapasse 600 toneladas (contudo, o maior organismo conhecido hoje, em massa, é uma colônia de árvores clones, todas ligadas pelas raízes, que chega a ter 6000 toneladas).

      Apesar de várias espécies do gênero Armillaria serem consideradas comestíveis, sabe-se que podem causar algumas reações adversas em algumas pessoas. Usualmente se aproveitam apenas os chapéus, descartando-se os pés, de consistência bastante dura. Armillaria mellea apresenta micélio luminescente.

      Os cogumelos crescem e se decompõem rapidamente, contudo o micélio subjascente sobrevive por muitos anos. Estimativas da idade desta colônia gigantesca de A. solidipes variam de 2400 a 8000 anos. E tudo indica que continua crescendo. Alguns estimam que possa crescer até 1m de diâmetro por ano!

Armillaria_ostoyae

Armillaria ostoyae. Fonte: W.J.Pilsak em Wikipédia alemã.

 

Anéis de fadas

       Anéis de fadas, também conhecidos como anéis ou círculos de feiticeiros, elfos ou de bruxas, são círculos ou arcos de cogumelos, que ocorrem naturalmente. Existem muitas lendas em torno deste fenômeno. Alguns dizem que estes círculos indicam locais perigosos, outros acham que trazem sorte ou mesmo que são portais para outros mundos.

       Existem pelo menos 60 espécies de cogumelos capazes de crescer em círculos. A mais conhecida é Marasmius oreades (popularmente chamada “cogumelo de anéis de fadas”). Estes círculos usualmente têm de um a alguns metros de diâmetro, mas podem ser maiores ou menores que isso.

       Acredita-se que um dos maiores círculos já registrados (encontrado próximo a Belfort, na França) tenha perto de 600m de diâmetro e aproximadamente 700 anos!

       Inúmeras crenças fantásticas surgiram em torno dos círculos de cogumelos. Muitas culturas explicam o surgimento de tais círculos como o resultado da dança circular de seres míticos, como fadas, elfos ou bruxas, ou como a indicação da existência de cidades encantadas subterrâneas. Outros teriam dito que os cogumelos serviriam de mesas ou cadeiras para as fadas. Segundo as várias lendas, entrar em um círculo destes pode trazer diversos resultados surpreendentes, tais como: o tempo lá dentro passar muito rápido e poucos minutos serem na verdade semanas ou meses; não ser possível sair de lá sem ajuda externa (porém para salvar alguém seria necessário esperar um ano e um dia a partir da entrada); dançar até a exaustão, a loucura ou a morte; perder um olho ou ser amaldiçoado.

       Outras lendas dizem existir formas de explorar estes anéis em segurança, com procedimentos como correr ao redor do círculo nove vezes (dar dez voltas seria perigoso) ou usar um chapéu virado para trás (isso confundiria as fadas). Para outros, os anéis trariam boa sorte: animais que se alimentassem da grama no centro do círculo se tornariam mais saudáveis e férteis e casas construídas sobre estes círculos seriam prósperas. Os anéis de fadas aparecem em diversas obras de arte, como nas artes plásticas e na literatura (até mesmo Shaekespeare os mencionou em um trecho de “Sonho de Uma Noite de Verão”).

       As explicações científicas para o surgimento destes círculos estão relacionadas aos padrões de crescimento do micélio (a parte subterrânea dos cogumelos). O micélio se desenvolve em todas as direções em que há condições nutricionais e ambientais favoráveis. Quando se trata de um plano (duas dimensões), o micélio tende a crescer de forma circular. Conforme os nutrientes se esgotam, o centro da colônia pode morrer, sobrando um “anel” de micélio vivo. Por isso os cogumelos crescem em círculo. Quando há obstáculos ou regiões difíceis de colonizar, os círculos podem ficar imperfeitos, restando apenas arcos de cogumelos. Outros desenhos também são possíveis, como círculos cheios de cogumelos até o centro, arcos concêntricos, etc…

       Os cogumelos usualmente aparecem apenas por curtos períodos. Contudo, a presença do micélio subterrâneo também pode ser percebida por outros indícios. Círculos de grama (ou outros vegetais) morta, podem aparecer em estações secas, quando o micélio afeta as raízes das plantas. Também podem ocorrer círculos de grama com crescimento exacerbado. Isso acontece quando o micélio produz substâncias que agem como hormônios que estimulam o crescimento vegetal. Outra possibilidade é o aparecimento de círculos de vegetais descoloridos, que são consequencia da exaustão de alguns nutrientes do solo por parte dos fungos. Tudo depende da espécie de cogumelo envolvida e do ambiente.

       Foi levantada a hipótese de que animais herbívoros (como coelhos) podem contribuir para novos ciclos de frutificação de cogumelos em anéis. Como se alimentam apenas dos vegetais e não dos cogumelos e como ajudam a repor o nitrogênio do solo, eles favorecem o surgimento de mais cogumelos nos mesmos círculos de micélio. Sem a reposição de nutrientes, a tendência é o surgimento de anéis cada vez maiores a cada ciclo, ou mesmo a morte do micélio. Como os cogumelos liberam esporos, que são bastante resistentes e podem viajar longas distâncias, o processo pode recomeçar em um novo ponto (do espaço e do tempo) em que as condições sejam favoráveis novamente.

Fairy_ring_on_a_suburban_lawn_100_1851 Círculo de fadas. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Fairy_ring#/media/File:Fairy_ring_
on_a_suburban_lawn_100_1851.jpg

 

 

Fechar
Fanpage Cogubras
Curta nossa página no Facebook e receba novidades, dicas, informações, curiosidades e receitas incríveis!